O Cinema e a Fronteira

A região da Amazônia Ocidental Brasileira e a sua vizinhança encontram-se em franco processo de desenvolvimento econômico, o que inclui obras grandiosas como as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio no Estado de Rondônia, a continuação da BR-364 no Estado do Acre, a pavimentação da Estrada do Pacífico em território peruano e brasileiro, o que se agrega à já existente integração com a Bolívia por meio da Capital da Província de Pando, Cobija. Tal situação denota o imenso impacto econômico gerado em termos de contratação de obras, empregos, compras, turismo e, também, as trocas culturais, o que demonstra a importância da discussão regional sobre temas comuns.

Nesse contexto, faz-se necessário difundir e fortalecer o debate sobre as conseqüências humanas do processo econômico em andamento, bem como estabelecer as redes interpessoais e interinstitucionais necessárias para garantir um intercâmbio que permita o fortalecimento de movimentos culturais que busquem um caráter de sustentabilidade em todas as suas dimensões – econômica, cultural, política, ambiental e ética.

Nesse sentido, o cinema se mostra como um instrumento ideal para dar início ao tipo de debate mencionado acima, pelo seu apelo visual e sua capacidade de discutir, de forma lúdica, metáforas sobre temas profundos e complexos da realidade dos três países. Ao mesmo tempo, pela característica da própria linguagem cinematográfica, os filmes podem compartilhar aspectos geográficos, culturais e sociais, propiciando a visão do “outro” com suas especificidades e similaridades.

Como uma maneira de fortalecer essa estratégia, mostra-se importante a exibição de filmes de produção dos países vizinhos (Peru e Bolívia) e também do Brasil, acompanhados de seus respectivos realizadores, para um diálogo interfronteiriço.

Dessa maneira, será possível uma reflexão sobre o tema das “identidades”, que não é questão secundária, mas primordial na compreensão da dinâmica social contemporânea, principalmente em um contexto de globalização, quando nossa região sofre as conseqüências das decisões tomadas por governos centrais. Pode ser dito, inclusive, que as modificações na constituição das identidades e a globalização são elementos dialéticos do local e do global, como fica evidente no nosso caso.

Todo esse contexto demonstra, justificadamente, a importância e a necessidade de fóruns em que a hospitalidade e a tolerância criem um ambiente propício a uma integração com viés mais humano e solidário. O cinema tem, por essência, essa potencialidade.

Com a III edição do Pachamama – Cinema de Fronteira, vamos dar continuidade aos fóruns iniciados ainda em 2010, e contribuir na minimização dos impactos sociais e ambientais, consequentes das mega obras estruturantes que estão sendo realizadas na região, como a estrada do Pacífico e as hidroelétricas do Rio Madeira, e do acelerado processo econômico que já vem ocorrendo. Buscamos assim, alternativas, evitando que as trocas entre os países não sejam meramente comerciais, que a estrada do Pacífico não se torne apenas um corredor de mercadorias, que estejamos preparados para as trocas culturais que deverão ocorrer. O PACHAMAMA – Cinema de Fronteira, neste contexto, torna-se um espaço de fóruns em que a hospitalidade e a tolerância criem um ambiente propício a uma integração com viés mais humano e solidário.

Uma resposta

  1. Festival Pachamama | Cultura em Movimento
    Festival Pachamama | Cultura em Movimento 10 de novembro de 2012 a 12:52 ·

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