Mostra Competitiva de Longa-metragem

||Mostra Competitiva de Longa-metragem
Mostra Competitiva de Longa-metragem 2017-11-20T14:27:43+00:00

HÍBRIDOS, OS ESPÍRITOS DO BRASIL

Sinopse

Híbridos, os espíritos do Brasil é um filme ambicioso no mais amplo sentido da palavra. É, em primeiro lugar, um projeto transmídia, que se complementa com vários curtametragens, fotografias e música. Mas também é o retrato da maneira que um país expressa sua espiritualidade. Assim, o filme trata de indagar desde a experimentação visual acerca do mundo invisível dos espíritos até a relação do ser humano com eles.

A potência da obra de Moon e Telmon reside na decisão de não fazer um documentário etnográfico, baseado em entrevistas e na observação de ritos. Antes disso, trata a exploração da espiritualidade como uma maneira de experimentar com o próprio cinema. O filme fala dos espíritos, mas a partir de uma reflexão sobre as capacidades expressivas do cinema para indagar o mundo que escapa aos olhos.

(Sebastian Morales)

Dir: Priscilla Telmon e Vincent Moon
Idioma: Português
País: Brasil
Duração: 86 min.
Ano: 2017
Contato: abreufernanda@gmail.com

UN SECRETO EN LA CAJA

Sinopse

Javier Izquierdo, em Un secreto en la caja, indaga sobre uma figura esquecida do chamado boom latino-americano de literatura, o equatoriano Marcelo Chiriboga. Esse personagem permite a Izquierdo não somente fazer um retrato sobre o escritor, mas também sobre um Equador real e imaginário.

O filme se constrói como um documentário clássico. As entrevistas no entorno próximo de Chiriboga mais um material de arquivo permitem reconstruir a biografia do escritor. Mas, à medida que passa o filme, começa-se a duvidar sobre o que se vê na tela. É que o filme, em sua forma clássica de narrar, esconde um mistério, um segredo que o espectador vai descobrindo a partir da alucinada biografia de Chiriboga. Ao final, a questão do filme se avulta em uma linha mais filosófica: A história se constrói a partir de mentiras? Ou em sua versão cinematográfica: A forma de um filme assegura uma relação transparente com o real?

(Sebastian Morales)

Dir.: Javier Izquierdo
Idioma: Espanhol
Legenda: Português
País: Equador
Duração: 71 min.
Ano: 2016
Contato: astudillo.tomas@gmail.com

ANDRÉS LEE I ESCRIBE

Sinopse

O chileno Daniel Peralta continua seu inquérito sobre personagens frustrados, estagnados em uma etapa de suas vidas por algo que não podem decifrar. O protagonista de seu terceiro longa-metragem é Andrés Centeno, um homem de trinta anos, independente, que tem um trabalho noturno em uma fábrica e uma namorada ocasional, apesar do que, se encontra imerso na insatisfação e no desconsolo. No caminho da maturidade, diz Peralta, algo se perde de sua essência, algo valioso que nunca deveríamos descartar. Só procurando por isso é possível encontrar-se consigo e, em consequencia, obter isso a que chamam felicidade.

Além de seu trabalho noturno, Andrés Centeno é ator amador, interpretando diferentes tipos de pacientes para que médicos internistas o examinem como parte de seu último ano de estudos. Que paradoxo que sejam estranhos a diagnosticar seus males, enquanto ele não consegue sequer expressar em palavras o que sente. O cinema de Peralta examina os estados mentais, nunca para obter uma resolução idílica, mas para que sejam eles mesmos a tomar consciência das verdadeiras causas de seu desconforto. A delicadeza com que ele maneja o fluxo de emoções já é um sinal distintivo de seu cinema. Que vai sendo refinado à medida que seus protagonistas crescem e têm que enfrentar novos desafios cotidianos.

A tudo isso, devemos acrescentar a devoção ao cinema dos anos oitenta, que apenas os espectadores mais atentos saberão descobrir e valorizar.

(José Romero)

Dir.: Daniel Peralta
Idioma: Espanhol
Legenda: Português
País: Chile
Duração: 93 min.
Ano: 2016
Contato: danielperaltaros@gmail.com

PINAMAR

Sinopse

A estreia solo de Federico Godfrid parte de uma premissa das mais sugestivas: capturar a essência de uma cidade a partir de seu balneário e suas ruas. Todos esses lugares tão característicos de Pinamar configuram o clima de um longa-metragem, que se fosse filmado em outro lugar perderia muito do influxo e de seu contorno emotivo.

A cidade é o pano de fundo, a atmosfera que envolve a história dos irmãos Pablo e Miguel (Juan Grandinetti e Agustín Pardella), que viajam até esse balneário para se desfazer das cinzas de sua mãe e, de passagem, resolver uma questão imobiliária, a venda de um departamento de seus pais. Um detalhe a quitar para continuar com suas vidas na grande capital. Este é o gatilho para o reencontro com um lugar instalado na memória, que pertencia a eles na infância.

Os irmãos encontram uma amiga de infância, a jovem Laura (Violeta Palukas), acendendo o desejo entre eles. O que inicialmente foi o palco para purgar a dor e o luto da família, então se torna o início de uma aventura totalmente inesperada de amadurecimento.

Em Pinamar não há grandes dramas ou conflitos, mas o sinal cúmplice de um autor, o diretor Federico Godfrid, que habilmente transforma o terreno em possíveis reflexos do nosso passado. No final, fica a certeza de que ao menos um deja-vu irá afetá-lo. Um que seja de puro prazer, prelúdio daquilo que acertadamente chamam de o começo do resto de nossas vidas.

(José Romero)

Dir.: Federico Godfrid
Idioma: Espanhol
Legenda: Português
País: Argentina
Duração: 84 min.
Ano: 2016
Contato: info@shortsfit.com

Las CINÉPHILAS

Sinopse

Cinephilas, obra de estreia, como diretora, da argentina María Álvarez, com toda simplicidade é um pequeno manifesto a favor do – às vezes obsessivo – amor ao cinema. O filme segue mulheres de terceira idade que têm um denominador comum: uma cinefilia militante. Álvarez descreve o dia-a-dia das cinéfilas, suas incursões diárias à sala escura, a maneira como se organizam para otimizar o tempo e ver a maior quantidade de filmes nos diferentes festivais de cinema que frequentam, e mais importante: a forma como elas reinterpretam o vivido a partir do que viram ao longo dos anos. Neste registro, Álvarez reestabelece a relação com o cinema como um relacionamento amoroso. No fim das contas, o filme é uma narrativa sobre o amor e o que o cinema pode fazer por nós.

(Sebastian Morales)

Dir.: Maria Álvarez
Idioma: Espanhol
Legendas: Português
País: Argentina
Duração: 74 min.
Ano: 2017
Contato: alvarez.amaria@gmail.com

BARONESA

Sinopse

Um corpo a se requebrar próximo a uma cortina: a primeira imagem do filme instiga pelo sentido de movimento e espaço que logo irá configurar todo o mergulho da diretora no universo cotidiano de um grupo de mulheres numa comunidade periférica de Belo Horizonte. Entre o espontâneo e o artificial, a aproximação e o distanciamento, a justeza e o limite de como e o que abordar, Baronesa é um filme constantemente em risco. Ele se arrisca ora a implodir suas próprias provocações, ora a se deixar guiar pelas personagens, ora a ser invadido pela violência latente de um dia a dia sempre à beira do abismo. Algo entre o olhar paciente e cúmplice de Pedro Costa (Ossos, No Quarto da Vanda) e a (con)vivência e o ludismo de Affonso Uchôa (A Vizinhanca do Tigre) surge em Baronesa na proposição de outro tipo de proximidade. O filme trafega pelas inquietudes de um pequeno e incrível núcleo de mulheres que batalham diariamente para poder existir enquanto seres sociais e como indivíduos dentro de uma máquina capitalista e classista que tende a excluí-las – não fosse o imenso poderio de ocuparem o mundo e tomarem para si o direito à narrativa. Um dos grandes impactos do filme é justamente assistir a essas mulheres por 75 minutos e continuar com eles infinitas horas depois.

(Marcelo Miranda)

Dir: Juliana Antunes
Idioma: Português 
Legenda: Espanhol
País: Brasil
Duração: 73 min.
Ano: 2017
Contato: venturacine@gmail.com

RUINAS TU REINO

Sinopse

Um grupo de pescadores seleciona mariscos dentro de uma pequena embarcação. A câmera, muito próxima, documenta os animais mexidos por mãos humanas. Dali adiante, o filme de Pablo Escoto passa a acompanhar os pescadores pelo Golfo do México. Entre imagens de abstração e registros etnográficos, Ruinas tu Reino se utiliza de diversas formas plásticas (câmera digital e 16mm) para transmitir sentidos que variam conforme avança a viagem. As cartelas em tela preta decifram o mistério: a instabilidade do mar é também a instabilidade do filme. Ora vem o enjoo com os movimentos do barco (e da câmera), ora o plano se fixa em elementos da natureza, ora o quadro retrata a figura humana como deflagrador da jornada. Ecos da Odisseia de Homero ou de Moby Dick de Melville apontam, surpreendentes, aqui e ali, pelo desafio de se estar à deriva no infinito marítimo. As pretensões de Escoto são bem menores, porém: ele e sua pequena equipe estão interessados em simplesmente retratar, entre a poesia e a crueza do registro, a travessia cotidiana e comezinha de seus personagens. Ruinas tu Reino tenta dar a estes homens – e ao que surge pelo caminho – o tom épico e experimental de um movimento que em geral lhes parece apenas mais um dia de trabalho.

(Marcelo Miranda)

Dir: Pablo Escoto
Idioma: Espanhol
Legenda: Português
País: México
Duração: 64 min.
Ano: 2016
Contato: gallinazos.distribucion@gmail.com

HISTÓRIAS QUE NOSSO CINE (NÃO) CONTAVA

Sinopse

Recortar, no passado, aquilo que resvala ainda no presente: o trabalho de arqueologia e genealogia de Fernanda Pessoa encontra nas comédias eróticas brasileiras dos anos 1970 a matéria-prima para lidar com as complexidades que já estavam lá e ainda permanecem aqui. Num exercício de reconfiguração da montagem de atrações (definida por Eisenstein basicamente como: “uma vez reunidos, dois fragmentos de filme de qualquer tipo combinam-se inevitavelmente em um novo conceito, em uma nova qualidade, que nasce, justamente, de sua justaposição”), Histórias que Nosso Cinema (não) Contava reordena uma série de cenas e sequências de maneira a criar novas possibilidades de sentido a filmes que, a princípio, não tinham outras ambições senão zombar ou reforçar estereótipos e tiques sociais. Nesse verdadeiro experimento, Fernanda Pessoa repassa o golpe militar de 1964 no Brasil, a linha-dura da ditadura (tortura, silenciamento, perseguição) e especialmente o moralismo cínico que parece ter voltado com força total no país nos últimos três anos. Enquanto apresenta para muita gente o que foi o cinema popular brasileiro na época – irreverente, despudorado, ao mesmo tempo liberal e conservador –, o filme permite, através de seus procedimentos formais, que a diretora reflita direta e perturbadoramente sobre para onde fomos e, quem sabe, para onde ainda iremos.

(Marcelo Miranda)

Dir: Fernanda Pessoa
Idioma: Português
Legendas: Espanhol
País: Brasil 
Duração: 80 min.
Ano: 2017
Contato: fepebarros@gmail.com

CRESPO (LA CONTINUIDAD DE LA MEMORIA)

Sinopse

Eduardo Crespo, diretor do filme, passou sua infância na cidade de Crespo, na província de Buenos Aires. No momento em que realiza o filme, o diretor vive em Villa Crespo. Essas coincidências na vida do diretor não são mais do que isso: curiosas coincidências. No entanto, este é o ponto de partida para Crespo fazer um filme sobre outro Crespo, seu pai. O cineasta empreende a missão de voltar à cidade onde nasceu para reconstruir a memória de seu pai.

Esta jornada permite uma viagem não só no espaço, ao lugar de infância do diretor, mas também no tempo, enquanto procura reconstruir uma memória que, segundo Eduardo Crespo, encontra-se obnubilada. Assim o filme autobiográfico busca encontrar essas relações que o ligam a todos os “Crespos” que marcaram sua própria vida.

(Sebastian Morales)

Dir: Eduardo Crespo
Idioma: Espanhol 
Legenda: Português
País: Argentina
Duração: 65 min.
Ano: 2016
Contato: educrespo@gmail.com

COCOTE

Sinopse

Uma voz em off sobre a tela branca oferece diferentes tipos de alimento para aqueles que demostrem amar a Jesus; segue uma imagem em preto e branco onde a fumaça de um incêndio toma a tela; um homem aparece no meio da fumaça; o som de buzinas se sobrepõem ao frêmito causado pelo fogo e se vai a um plano geral da cidade, sempre em preto e branco, tudo isso através de cortes secos e planos fixos, até aparecer um cartaz apresentando a primeira parte do filme, para passar em seguida à imagem, já em cores, de um jardim com piscina de uma família burguesa. A partir daqui, Nelson Carlo de los Santos Arias, diretor de Cocote, construirá um complexo mosaico onde Alberto, protagonista do filme, nos introduzirá a um mundo onde a dialética e a contraposição de elementos políticos, religiosos e sociais da República Dominicana, jogando com diferentes dispositivos como o cinema experimental e etnográfico, criará um estranho e atraente thriller cinematográfico.

(Marcelo Cordero Q.)

Dir.: Nelson Carlo De Los Santos Arias
Idioma: Espanhol
Legenda: Português
País: República Dominicana
Duração: 106 min.
Ano: 2017
Contato: info@luxboxfilms.com