Novos rumos para o Pachamama

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Novos rumos para o Pachamama 2017-11-12T15:39:45+00:00

O Festival Pachamama Cinema de Fronteira chega em 2017 à sua oitava versão. Foram oito anos desde a primeira e acreditamos que o festival atingiu um nível de maturidade para se consolidar como uma referência internacional. No entanto, esta versão é especial, porque implica um ponto de inflexão em relação aos outros, com uma mudança na direção artística e na de programação. É nesses momentos que o festival precisa mostrar sua boa saúde, propondo uma programação com linhas curatoriais claras e bons filmes.

É que em um festival de cinema são os filmes e as idéias por trás deles que devem ser o mais importante. Nas seções competitivas de longa-metragem e de curta-metragem, buscamos filmes que pensam a forma e a exploração visual. Germain Dulac, na primeira metade do século XX, disse que o cinema do futuro não faria uma arte narrativa, mas sim de sensações puras. Os trabalhos escolhidos para fazer parte da sessão competitiva do festival Pachamama seguem esta premissa. Aqui, são propostos filmes arriscados, de sensações puras, onde a exploração formal é o denominador comum. Mas também, o cinema é um discurso sobre o real.

Buscamos também um equilíbrio entre mostrar um cinema sem precedentes e, ao mesmo tempo, conectar o público de Rio Branco com o melhor do cinema latino-americano e mundial. É por isso que é um orgulho para nós começar esta nova etapa do festival com um filme que sem dúvida estabelecerá um marco na história do cinema: Zama, de Lucrecia Martel. Além disso, em nossa sessão competitiva, a maioria dos filmes ainda não foi vista no Brasil. Este é o nosso compromisso com o público de Rio Branco.

Seguindo a lógica de um festival que ocorre em uma fronteira, também foi importante propor filmes que permitam construir um diálogo entre Bolívia, Peru e Brasil. Este diálogo tem seu lugar especial na mostra tri-frontera, para a qual são escolhidos três filmes representativos de cada um desses países. A representação boliviana vem da mão de Denisse Arancibia e de seu filme Las malcogidas. O filme peruano é Luz en el cerro de Ricardo Velarde e o Brasil está representado por O nó do diabo, de Ramón Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé e Jhesus Tribuzi.

Fazer a programação de um festival envolve um longo trabalho de vários meses. Envolve a visualização de centenas de filmes, para a seleção de cerca de um pouco mais de 60 filmes entre curtas e longa-metragens. Isso implica, portanto, uma reflexão sobre decisões curatoriais e uma equipe de programação disposta a embarcar nesta aventura. Agradeço a equipe de programação composta pelo peruano José Romero e Marcelo Miranda. Além da confiança do novo diretor artístico do festival, Marcelo Cordero.

Que comece a Pachafesta!

Sebastian Morales

Diretor de Curadoria e Programação

VIII Festival Internacional Pachamama
Cinema de Fronteira